sexta-feira, 30 de novembro de 2012

POÈME LU AU MARIAGE D'ANDRÉ SALMON
Le 13 juillet 1909

(...)

Réjouissons-nous non pas parce que notre amitié a été le fleuve
qui nous a fertilisés
Terrains riverains dont l'abondance est la nourriture que tous
espèrent
Ni parce que nos verres nous jettent encore une fois le regard
d'Orphée mourant
Ni parce que nous avons tant grandi que beaucoup pourraient
confondre nos yeux et les étoiles
Ni parce que les drapeaux claquent aux fenêtres des citoyens qui
sont contents depuis cent ans d'avoir la vie et de menues choses à
défendre
Ni parce que fondés en poésie nous avons des droits sur les
paroles qui forment et défont l'Univers
Ni parce que nous pouvons pleurer sans ridicule et que nous savons
rire
Ni parce que nous fumons et buvons comme autrefois
Réjouissons-nous parce que directeur du feu et des poètes
L'amour qui emplit ainsi que la lumière
Tout le solide espace entre les étoiles et les planètes
L'amour veut qu'aujourd'hui mon ami André Salmon se marie.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

entre mes bras

La Blanche Neige

Les anges les anges dans le ciel
L'un est vêtu en officier
L'un est vêtu en cuisinier
Et les autres chantent
Bel officier couleur du ciel
Le doux printemps longtemps après Noël
Te médaillera d'un beau soleil
D'un beau soleil
Le cuisinier plume les oies
Ah! tombe neige
Tombe et que n'ai-je
Ma bien-aimée entre mes bras.

Guillaume Apollinaire.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

White woman with numberless dreams

A Poet To His Beloved

I BRING you with reverent hands
The books of my numberless dreams,
White woman that passion has worn
As the tide wears the dove-grey sands,
And with heart more old than the horn
That is brimmed from the pale fire of time:
White woman with numberless dreams,
I bring you my passionate rhyme.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

hungry sea

A Crazed Girl

THAT crazed girl improvising her music.
Her poetry, dancing upon the shore,

Her soul in division from itself
Climbing, falling She knew not where,
Hiding amid the cargo of a steamship,
Her knee-cap broken, that girl I declare
A beautiful lofty thing, or a thing
Heroically lost, heroically found.

No matter what disaster occurred
She stood in desperate music wound,
Wound, wound, and she made in her triumph
Where the bales and the baskets lay
No common intelligible sound
But sang, 'O sea-starved, hungry sea.'


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Meu dia foi a sua ausência.

Night Song


And have you thoroughly kissed my lips;
There was no particular haste,
And are you not ready when evening's come?
There's no particular haste.

You've got the whole night before you,
Heart's-all-beloved-my-own;
In an uninterrupted night one can
Get a good deal of kissing done. 


Ezra Pound. 


domingo, 25 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Testamento do homem sensato

Quando eu morrer, não faças disparates
nem fiques a pensar: “Ele era assim...”
Mas senta-te num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
Foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

Porém, se um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
ave que nasce e em vôo se arremeda,

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
como uma luz, mais que distante, breve.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Soneto superficial com Madame

Madame, em vosso claro olhar, e leve,
navegam coloridas geografias,
azul de litoral, paredes frias,
vontade de fazer o que não deve

ser feito, por ser coisa de outros dias
vivida num instante muito breve,
quando extraímos sal, areia e neve
de vossas mãos, singularmente esguias.

Que eternos somos, dúvida não tenho,
nem posso abandonar minha planície
sem saber se em vós há o que em vós venho

buscar. E embora em nós tudo nos chame,
jamais navegarei a superfície
de vosso claro e leve olhar, Madame.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Soneto das metamorfoses

Carolina, a cansada, fez-se espera
e nunca se entregou ao mar antigo.
Não por temor ao mar, mas ao perigo
de com ela incendiar-se a primavera.

Carolina, a cansada que então era,
despiu, humildemente, as vestes pretas
e incendiou navios e corvetas
já cansada, por fim, de tanta espera.

E cinza fez-se. E teve o corpo implume
escandalosamente penetrado
de imprevistos azuis e claro lume.

Foi quando se lembrou de ser esquife:
abandonou seu corpo incendiado
e adormeceu nas brumas do Recife.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Guia prático da cidade do Recife

No ponto onde o mar se extingue
E as areias se levantam
Cavaram seus alicerces
Na surda sombra da terra
E levantaram seus muros
Do frio sono das pedras.
Depois armaram seus flancos:
Trinta bandeiras azuis plantadas no litoral.
Hoje, serena flutua, metade roubada ao mar,
Metade à imaginação,
Pois é do sonho dos homens
Que uma cidade se inventa.

ponha tudo de lado e então comece

Para Fazer um Soneto

Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere um instante ocasional
neste curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial
 
Ai, adote uma atitude avara
se você preferir a cor local
não use mais que o sol da sua cara
e um pedaço de fundo de quintal

Se não procure o cinza e esta vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse
antes, deixe levá-lo a correnteza

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza
ponha tudo de lado e então comece.
 
Carlos Pena Filho

simplesmente

Viração

Voa um par de andorinhas, fazendo verão. E vem uma vontade de rasgar velhas cartas, velhos poemas, velhas contas recebidas. Vontade de mudar de camisa, por fora e por dentro... Vontade... Para que esse pudor de certas palavras?... Vontade de amar, simplesmente...

Mario Quintana

Amor imprevisto

Canção do amor imprevisto

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos!

Mario Quintana

quinta-feira, 8 de novembro de 2012


No man is an island,
Entire of itself.
Each is a piece of the continent,
A part of the main.
If a clod be washed away by the sea,
Europe is the less.
As well as if a promontory were.
As well as if a manor of thine own
Or of thine friend's were.
Each man's death diminishes me,
For I am involved in mankind.
Therefore, send not to know
For whom the bell tolls,
It tolls for thee.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

To enter in these bonds is to be free

(...)

License my roving hands, and let them go
Before, behind, between, above, below.
O my America! my new-found-land,
My kingdom, safest when with one man manned,
My mine of precious stones, my empery,
How blest am I in this discovering of thee!
To enter in these bonds is to be free;
Then where my hand is set, my seal shall be.


(...)

John Donne.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Daybreak

STAY, O sweet and do not rise!
The light that shines comes from thine eyes;
The day breaks not: it is my heart,
   Because that you and I must part.
   Stay! or else my joys will die
   And perish in their infancy. 


John Donne.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Break of day

'Tis true, 'tis day; what though it be?
O wilt thou therefore rise from me?
Why should we rise, because 'tis light?
Did we lie down, because 'twas night?
Love which in spite of darkness brought us hither
Should in despite of light keep us together.


(...)

John Donne.

sábado, 3 de novembro de 2012

Desejos

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Carlos Drummond de Andrade.