quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Mar


      Na melancolia de teus olhos 
      Eu sinto a noite se inclinar 
      E ouço as cantigas antigas 
                Do mar. 

      Nos frios espaços de teus braços 
      Eu me perco em carícias de água 
      E durmo escutando em vão 
                O silêncio. 

      E anseio em teu misterioso seio 
      Na atonia das ondas redondas. 
      Náufrago entregue ao fluxo forte 
                Da morte.
      Vinicius

Eu


Até agora eu não me conhecia, 
julgava que era Eu e eu não era 
Aquela que em meus versos descrevera 
Tão clara como a fonte e como o dia. 

Mas que eu não era Eu não o sabia 
mesmo que o soubesse, o não dissera... 
Olhos fitos em rútila quimera 
Andava atrás de mim... e não me via! 

Andava a procurar-me - pobre louca!- 
E achei o meu olhar no teu olhar, 
E a minha boca sobre a tua boca! 

E esta ânsia de viver, que nada acalma, 
E a chama da tua alma a esbrasear 
As apagadas cinzas da minha alma!

Florbela Espanca