Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate.
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date.
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.
Shakespeare.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
meus sentidos prostrados se submetem
Vossos olhos, Senhora, que competem
Com o Sol em beleza e claridade,
Enchem os meus de tal suavidade,
Que em lágrimas de vê-los se derretem.
Meus sentidos prostrados se submetem
Assim cegos a tanta majestade;
E da triste prisão, da escuridade,
Cheios de medo, por fugir remetem.
Porém se então me vedes por acerto,
Esse áspero desprezo com que olhais
Me torna a animar a alma enfraquecida.
Oh gentil cura! Oh estranho desconcerto!
Que dareis c' um favor que vós não dais,
Quando com um desprezo me dais vida?
Camões.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
num'hora acho mil anos
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco, e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto:
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio;
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao céu voando;
Num' hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar um' hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
o que seu vácuo abrupto fixou na minha alma
Saberemos viver uma vida melhor que esta, quando mesmo chorando é tão bom estarmos juntos? Depois da morte eu quero o que seu vácuo abrupto fixou na minha alma. Quando eu ressuscitar, o que eu quero é a vida repetida sem o perigo da morte, os riscos todos, a garantia: à noite estaremos juntos...
Adélia Prado
Adélia Prado
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
a batallas de amor campo de pluma
Llegó todo el lugar, y despedido,
casta Venus, que el lecho ha prevenido
de las plumas que baten más süaves
en su volante carro blancas aves,
los novios entra en dura no estacada;
que, siendo Amor una deidad alada,
bien previno la hija de la espuma
a batallas de amor campo de pluma.
casta Venus, que el lecho ha prevenido
de las plumas que baten más süaves
en su volante carro blancas aves,
los novios entra en dura no estacada;
que, siendo Amor una deidad alada,
bien previno la hija de la espuma
a batallas de amor campo de pluma.
Baudelaire, Vinícius e Tom
À une passante
La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet ;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son œil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... Puis la nuit ! - Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité ?
Ailleurs, bien loin d'ici ! Trop tard ! Jamais peut-être !
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais !
Charles Baudelaire
La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet ;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son œil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... Puis la nuit ! - Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité ?
Ailleurs, bien loin d'ici ! Trop tard ! Jamais peut-être !
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais !
Charles Baudelaire
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Paraguaçu
Paraguaçu gentil (tal nome teve)
bem diversa de gente tão nojosa;
De cor tão alva, como a branca neve;
E donde não é neve, era de rosa;
O nariz natural, boca mui breve,
Olhos de bela luz, testa espaçosa:
de algodão tudo o mais, com manto espesso,
quanto honesta encobriu, fez ver-lhe o preço.
xxx
Foi destinada de seus pais valentes,
esposa de Gupeva, mas a Dama
fugia de seus olhos impacientes,
nem prenda lhe aceitou, porque o não ama:
nada sabem de amor bárbaras gentes,
nem arde em peito rude a amante chama;
Gupeva, que não sente o seu despeito,
Tratava-a sem amor, mas com respeito.
xxx
(Paraguaçu conhece Diogo para servir-lhe de intérprete)
xxx
(...) [Diogo]
Ânsias no coração sentiu tamanhas
(Ânsias, que nem na morte o tempo risca)
que houvera de perder-se naquela hora
Se não fora cristão, se herói não fora.
xxx
Desde hoje se a meus olhos corresponde
Ó meigo olhar das lúcidas pupilas;
se amor é...porque amor quem é que o esconde,
Se por ele essas lágrimas destilas:
com que chamas meu peito te responde,
com mão de esposa poderás senti-las;
Disse, e estendendo a mão, ofereceu-lha;
Ela que nada diz, sorriu-se, e deu-lha.
Põe-lhe de fuga os olhos que abaixara;
E ou de amante, ou também de vergonhosa,
Um tão belo rubor que tinge a cara,
Como quando entre os lírios nasce a rosa:
Três vezes quis falar, três vezes se calara;
e ficou do soçobro tão formosa,
Quanto ele ficou cego; e em tal porfia,
Nem um, nem outro então de si sabia.
Santa Rita Durão. Caramuru. Canto II.
bem diversa de gente tão nojosa;
De cor tão alva, como a branca neve;
E donde não é neve, era de rosa;
O nariz natural, boca mui breve,
Olhos de bela luz, testa espaçosa:
de algodão tudo o mais, com manto espesso,
quanto honesta encobriu, fez ver-lhe o preço.
xxx
Foi destinada de seus pais valentes,
esposa de Gupeva, mas a Dama
fugia de seus olhos impacientes,
nem prenda lhe aceitou, porque o não ama:
nada sabem de amor bárbaras gentes,
nem arde em peito rude a amante chama;
Gupeva, que não sente o seu despeito,
Tratava-a sem amor, mas com respeito.
xxx
(Paraguaçu conhece Diogo para servir-lhe de intérprete)
xxx
(...) [Diogo]
Ânsias no coração sentiu tamanhas
(Ânsias, que nem na morte o tempo risca)
que houvera de perder-se naquela hora
Se não fora cristão, se herói não fora.
xxx
Desde hoje se a meus olhos corresponde
Ó meigo olhar das lúcidas pupilas;
se amor é...porque amor quem é que o esconde,
Se por ele essas lágrimas destilas:
com que chamas meu peito te responde,
com mão de esposa poderás senti-las;
Disse, e estendendo a mão, ofereceu-lha;
Ela que nada diz, sorriu-se, e deu-lha.
Põe-lhe de fuga os olhos que abaixara;
E ou de amante, ou também de vergonhosa,
Um tão belo rubor que tinge a cara,
Como quando entre os lírios nasce a rosa:
Três vezes quis falar, três vezes se calara;
e ficou do soçobro tão formosa,
Quanto ele ficou cego; e em tal porfia,
Nem um, nem outro então de si sabia.
Santa Rita Durão. Caramuru. Canto II.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Eran ayer mis dolores
como gusanos de seda
que iban labrando capullos;
hoy son mariposas negras.
¡De cuántas flores amargas
he sacado blanca cera!
¡Oh, tiempo en que mis pesares
trabajaban como abejas!
(...)
Dolores que ayer hicieron
de mi corazón colmena,
hoy tratan mi corazón
como a una muralla vieja:
quieren derribarlo, y pronto,
al golpe de la piqueta.
Antonio Machado.
como gusanos de seda
que iban labrando capullos;
hoy son mariposas negras.
¡De cuántas flores amargas
he sacado blanca cera!
¡Oh, tiempo en que mis pesares
trabajaban como abejas!
(...)
Dolores que ayer hicieron
de mi corazón colmena,
hoy tratan mi corazón
como a una muralla vieja:
quieren derribarlo, y pronto,
al golpe de la piqueta.
Antonio Machado.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Brisa nova com perfume antigo...
Canção do dia de sempre
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mario Quintana.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Love´s riddles are...
Lovers' Infiniteness
If yet I have not all thy love,
Dear, I shall never have it all;
I cannot breathe one other sigh, to move,
Nor can intreat one other tear to fall;
And all my treasure, which should purchase thee—
Sighs, tears, and oaths, and letters—I have spent.
Yet no more can be due to me,
Than at the bargain made was meant;
If then thy gift of love were partial,
That some to me, some should to others fall,
Dear, I shall never have thee all.
Or if then thou gavest me all,
All was but all, which thou hadst then;
But if in thy heart, since, there be or shall
New love created be, by other men,
Which have their stocks entire, and can in tears,
In sighs, in oaths, and letters, outbid me,
This new love may beget new fears,
For this love was not vow'd by thee.
And yet it was, thy gift being general;
The ground, thy heart, is mine; whatever shall
Grow there, dear, I should have it all.
Yet I would not have all yet,
He that hath all can have no more;
And since my love doth every day admit
New growth, thou shouldst have new rewards in store;
Thou canst not every day give me thy heart,
If thou canst give it, then thou never gavest it;
Love's riddles are, that though thy heart depart,
It stays at home, and thou with losing savest it;
But we will have a way more liberal,
Than changing hearts, to join them; so we shall
Be one, and one another's all.
John Donne
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
I wear you tightly as I burn – don't make me come back
What the water gave me
This is how it is at the end –
me lying in my bath
while the waters break,
my skin glistening with amnion,
streaks of starlight.
And the waters keep on breaking
as I reverse out of my body.
My life dances on the silver surface
where cacti flower.
The ceiling opens
and I float up on fire.
Rain pierces me like thorns. I have a steam veil.
I sit bolt upright as the sun's rays embrace me.
Water, you are a lace wedding-gown
I slip over my head, giving birth to my death.
I wear you tightly as I burn –
don't make me come back.
Pascale Petit.
Nota: Petit nasceu na França, vive em Londres e é finalista do TS Eliot Prize for poetry.
Water. Frida Kahlo.
This is how it is at the end –
me lying in my bath
while the waters break,
my skin glistening with amnion,
streaks of starlight.
And the waters keep on breaking
as I reverse out of my body.
My life dances on the silver surface
where cacti flower.
The ceiling opens
and I float up on fire.
Rain pierces me like thorns. I have a steam veil.
I sit bolt upright as the sun's rays embrace me.
Water, you are a lace wedding-gown
I slip over my head, giving birth to my death.
I wear you tightly as I burn –
don't make me come back.
Pascale Petit.
Nota: Petit nasceu na França, vive em Londres e é finalista do TS Eliot Prize for poetry.
Water. Frida Kahlo.
sábado, 22 de janeiro de 2011
hora em que se o mundo acabar eu nem vejo
Bilhete da ousada donzela
Jonathan,
há nazistas desconfiados.
Põe aquela sua camisa que eu detesto
- comprada no Bazar Marrocos -
e venha como se fosse pra consertar meu chuveiro.
Aproveita na terça que meu pai vai com minha mãe
visitar tia Quita no Lajeado.
Se mudarem de idéia, mando novo bilhete.
Venha sem guarda-chuva - mesmo se estiver chovendo -
Não agüento mais tio Emílio que sabe e finge não saber
que te namoro escondido e vive te pondo apelidos.
O que você disse outro dia na festa dos pecuaristas
até hoje soa igual música tocando no meu ouvido:
"Não paro de pensar em você."
Eu também, Natinho, nem um minuto.
Na terça, às duas da tarde,
hora em que se o mundo acabar eu nem vejo.
Com aflição,
Antônia.
Adélia Prado.
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