Acordei envolto n'um largo e doce silencio. Era uma
Estação muito socegada, muito varrida, com
rosinhas
brancas trepando pelas paredes―e
outras rosas em moitas, n'um jardim, onde um tanquesinho abafado de
limos dormia sob duas mimosas em flôr que rescendiam. Um
moço pallido, de paletot côr de mel, vergando a
bengalinha
contra o
chão, contemplava pensativamente o comboio. Agachada rente
á grade da horta,
uma velha, diante da sua cesta de ovos, contava moedas de cobre no
regaço. Sobre o telhado seccavam aboboras. Por cima
rebrilhava o
profundo, rico e
macio azul de que meus olhos andavam agoados.
Sacudi violentamente Jacintho:
―Acorda, homem, que estás na tua terra!
Elle desembrulhou os pés do meu paletot, cofiou o bigode, e veio sem pressa, á vidraça que eu abrira, conhecer a sua terra.
―Então é Portugal, hein?... Cheira bem.
Sacudi violentamente Jacintho:
―Acorda, homem, que estás na tua terra!
Elle desembrulhou os pés do meu paletot, cofiou o bigode, e veio sem pressa, á vidraça que eu abrira, conhecer a sua terra.
―Então é Portugal, hein?... Cheira bem.
Eça de Queiroz, A cidade e as serras (1901). Passagem do gosto do meu saudoso e querido avô.