Uma baleia, uma telenovela, um alaúde,
um trem
Uma arara
Mas era ao mesmo tempo bela e banguela
a Guanabara
Em que se passara passa passará o raro
pesadelo
Que aqui começo a construir sempre
buscando o belo e o amaro
Eu não sonhei que a praia de Botafogo
era uma esteira rolante de areia branca e de óleo diesel
Sob meus tênis
E o Pão de Açucar menos óbvio possível
À minha frente
Um Pão de Açucar com umas arestas
insuspeitadas
À áspera luz laranja contra a quase
não luz quase não púrpura
Do branco das areias e das espumas
Que era tudo quanto havia então de
aurora (...)
Estrangeiro, Caetano Veloso, 1989
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