O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas
folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que
as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o
futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as
futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e
minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu
silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
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