quarta-feira, 4 de julho de 2012

Antes eu sonhava,
agora nem durmo.

pára-choque de caminhão, na L2 Norte, Brasília, numa manhã de sol.
(trecho de "Há tempos", do Legião Urbana).

Um comentário:

  1. Sonho

    Sonhei esta existência de venturas,
    Sonhei que o mundo era só d’amor,
    Não pensei que havia amarguras
    E que no coração habita a dor.
    Sonhei que m’afagavam as ternuras
    De leda vida e que jamais pallor
    Marcou na face humana as desventuras
    Que a lei de Deus impôs com rigor
    Sonhei tudo azul e cor de rosa
    E a sorte ostentando-se furiosa
    Rasgou o sonho formoso que tive
    Sonhando sempre eu não tinha sonhado
    Que n’esta vida sonhava-se acordado,
    Que n’este mundo a sonhar se vive.

    (Fernando Pessoa - Poesias ocultistas. SP: Ed. Aquariana, 1996. p. 45)

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