Sonhei esta existência de venturas, Sonhei que o mundo era só d’amor, Não pensei que havia amarguras E que no coração habita a dor. Sonhei que m’afagavam as ternuras De leda vida e que jamais pallor Marcou na face humana as desventuras Que a lei de Deus impôs com rigor Sonhei tudo azul e cor de rosa E a sorte ostentando-se furiosa Rasgou o sonho formoso que tive Sonhando sempre eu não tinha sonhado Que n’esta vida sonhava-se acordado, Que n’este mundo a sonhar se vive.
Sonho
ResponderExcluirSonhei esta existência de venturas,
Sonhei que o mundo era só d’amor,
Não pensei que havia amarguras
E que no coração habita a dor.
Sonhei que m’afagavam as ternuras
De leda vida e que jamais pallor
Marcou na face humana as desventuras
Que a lei de Deus impôs com rigor
Sonhei tudo azul e cor de rosa
E a sorte ostentando-se furiosa
Rasgou o sonho formoso que tive
Sonhando sempre eu não tinha sonhado
Que n’esta vida sonhava-se acordado,
Que n’este mundo a sonhar se vive.
(Fernando Pessoa - Poesias ocultistas. SP: Ed. Aquariana, 1996. p. 45)