- Sonetto LXXXII -
Quando 'l gran lume appar nell'oriente,
che 'l negro manto della notte sgombra,
e dalla terra il gelo e la fredd'ombra
dissolve e scaccia col suo raggio ardente:
de' primi affanni, ch' avea dolcemente
il sonno mitigati, allor m' ingombra,
ond' ogni mio piacer dispiega in ombra,
quando da ciascun lato ha l'altre spente.
Così mi sforza la nimica sorte
le tenebre cercar, fuggir la luce,
odiar la vita e desiar la morte.
Quel che gli altri occhi appanna a' miei riluce,
perché, chiudendo lor, s' apron le porte
alla cagion ch' al mio sol mi conduce.
Vittoria Colonna (1490-1547)
retratada por Sebastiano del Piombo
versão livre
Soneto LXXXII
Quando o grande fogo aparece no Oriente,
e cai o negro manto da noite,
e da terra o gelo e a fria sombra
dissolve com o seu raio ardente:
as inquietações, que o sono havia
docemente mitigado, perturbam então
e cada prazer meu se transforma em escuridão,
e por toda parte tudo se apaga
Assim me obriga a inimiga sorte
a buscar as trevas, fugir à luz,
odiar a vida e desejar a morte
Aquilo que aos outros olhos mancha, aos meus reluz,
porque, fechando-os, se abrem as portas
à causa que ao meu sol me conduz.

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